Carta: palavras ao vento

by - maio 03, 2018

*Atenção: esse texto é de livre interpretação e não tem nenhum compromisso com a realidade.*

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E chegou, mais uma vez, a hora. A hora de escrever a carta que eu nunca vou entregar por mim mesma, mas que vou rasgar pedacinho por pedacinho para deixar que o vento leve para onde tiver que ser. 

É uma carta que conta sobre a dor. 

Eu nunca soube ao certo que dor eu iria sentir por mandar alguém embora. A minha primeira experiência foi terrível. Eu doí por meses. A segunda, já nem percebi. Passei por tanto tempo anestesiada que nem notei quando ela chegou. Ela chegou de mansinho, amaciando o terreno por alguns dias, e depois sentou bem lá no fundo do meu coração, calmamente. E calmamente foi se espreguiçando, erguendo os braços, e a cada centímetro que eles se moviam, algo ali dentro se soltava. 

Deixei de ser uma pessoa que acredita precisar de outra, e você sabe disso. Acho que passei por processos: primeiro, precisava de um complemento. Depois, já não precisava e nem queria. E quando chegou alguém que ainda não estava acostumado a "ser" por "si", rejeitei e achei graça. Nem sequer tentei ensinar. O tempo diria. Mas sabia como era difícil, então tentei. Tentei e não consegui. Tentei de novo e falei pra ir embora, porque me perder de mim novamente por alguém não faz mais meu feitio. 

Sinceramente? Não sei se você veio na hora errada ou se era a hora certa, mas eu não fui madura o suficiente para perceber. Sequer agora tenho certeza de querer a sua volta. Porém tudo isso? Ah, doeu. Se doeu. Uma dor que eu não tinha vivido até agora. Uma dor de rejeição, de culpa, de saudade. E doeu mais ainda porque percebi que eu apenas estava recebendo o troco por algo que eu tinha feito. 

Nós nunca existimos por inteiro. Éramos Sol e Lua e por muito tempo eu acreditei que era autossuficiente. Éramos uma vênus que acreditava estar certa e um marte que tinha a certeza disso. Dois enganados. Dois machucados. 

Agora eu só espero poder um dia descobrir tudo o que aconteceu. Entender o porquê de eu ainda procurar uma pessoa na plateia. Entender o porquê de não ter certeza dos sentimentos. Entender o porquê de começar esse texto tão triste e terminá-lo tão indiferente. Eu não sei.

Não faço nem ideia se algum dia descobrirei.

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4 Comentários

  1. Texto maravilhoso e incrível de se ler

    Beijos
    www.pimentadeacucar.com

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  2. parabens, vc escreve mt bem, super me identifiquei com seu texto...

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  3. Oi Caroline.
    Que texto hei. "Entender o porquê de não ter certeza dos sentimentos", ainda quero entender isso também. Parabéns, você escreve muito bem!
    Bjos

    www.momentosdeleitura.com

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  4. Texto triste mesmo :(
    Mas achei bonito, é bacana a sua forma de escrever.

    https://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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